A Mesa
Entrando-se na sala, vê-se que ela não está vazia: apenas uma mesa comprida posicionada no centro do ambiente. Sobre a mesa há caixas, dispostas como pratos a espera de convivas. À primeira vista, as caixas parecem iguais.
Aproximando-se da mesa, vê-se que a caixa é branca. A cor da caixa é branca. A pele de matéria translúcida que envolve a caixa é branca.
As faces superiores das caixas são abertas; estão cheias de água. Transparente. No fundo de cada caixa há dois objetos. Um parafuso e uma garrafa. O parafuso é grande, a garrafa é pequena, então há uma pequena diferença de tamanho entre ambos, e é assim em todas. Cada objeto é de uma cor.
A matéria desses objetos é a mesma que recobre as caixas, cera. Um parece ocre, outro azul, outro vermelho como a terra fértil, e opacos.
Apesar de suas formas bem reconhecíveis, esses objetos de cera não parecem ser o que a forma sugere, mas outra coisa. Como ex-votos. Pois uma garrafa e um parafuso não podem ser usados como garrafa e parafuso quando são feitos de cera. E não há nada que indique-lhes utilidade, finalmente, presos ao fundo das caixas e cobertos de água.
O que sugere tocá-los. Sentir-lhes a temperatura, a textura, como tocam de volta a pele. Mas para tocá-los deve-se mergulhar a mão dentro da água, até o fundo da caixa. A água deve estar fria. O que não deixa a vontade. Parece que tocar a água seria como contaminar algo puro. A água é pura e fresca.















